Vida longa ao Magento 1. Conheça o Maho.
Desenvolvimento, Gerenciar minha loja, Magento 1
Atualizado em 11 de novembro de 2024
Depois de ser descontinuado precipitadamente pela Adobe em 2020, o Magento 1 seguiu recebendo suporte de sua comunidade em iniciativas como Mage-One, Safe Harbor, e o mais conhecido, OpenMage LTS.
No entanto, essas iniciativas até então serviam como alternativa para quem desejava continuar com uma plataforma de e-commerce estável, mas com algum respaldo de segurança.
Em outras palavras, correções de segurança eram aplicadas, mas pouco se evoluiu em termos de recursos.
Apesar de serem boas opções, na maior parte dos casos elas são usadas por quem está atrasado na migração para uma nova plataforma. Seja ela Magento 2, MageOS, ou mesmo WooCommerce ou alguma outra alternativa.
Apesar de acompanhar muitas lojas novas sendo criadas no OpenMage LTS, especialmente por empresas brasileiras, é comum que desenvolvedores não se sintam muito motivados a trabalhar em tais projetos com tecnologias ultrapassadas.
Rápido, completo, mas ultrapassado
Apesar de mais rápido e completo que plataformas como WooCommerce, o OpenMage usa muitas tecnologias ultrapassadas com objetivo de manter a compatibilidade com milhares de módulos e temas que até hoje suportam suas lojas.
No entanto, para fazer isso, paga-se o preço de ficar para trás usando bibliotecas que não possuem mais suporte algum, e eventualmente sendo penalizado em termos de SEO e integrações.
Maho Commerce
Esta semana entrevistei o Fabrizio Balliano, e conheci seu novo projeto, o Maho Commerce.
Fabrizio mora na Espanha, e por vários anos foi um dos mantenedores do projeto OpenMage.
Há algum tempo ele decidiu criar algo novo, mais moderno e dar continuidade para o OpenMage com uma abordagem diferente.
O Maho (lê-se marrô) não tem como objetivo principal manter a compatibilidade com módulos e temas do Magento 1, mas sim em evoluir a plataforma Magento/OpenMage e mantendo-a atualizada com boas práticas e novas tecnologias.
Com linha de comando nativa, é possível instalar o Maho em poucos segundos. Além de manter compatibilidade com versões mais novas do PHP e ter tido o pacote de produtos de exemplo revisados, o Maho logo contará com edição de atributos de clientes, categorias, e outras entidades EAV direto via painel de controle, sendo esse um novo diferencial. Além disso, a versão atual já conta com suporte a Google Analytics 4 e Tag Manager.
O Maho também conta com uma boa documentação, e um roadmap bem transparente e interessante.
A entrevista com Fabrizio (com legendas) está disponível na área exclusiva de conteúdos do Clube Magenteiro (link direto).
Primeiras impressões
Depois da entrevista com Fabrizio, eu testei o Maho usando Docker por cerca de 20 minutos.
O projeto foi relativamente fácil de configurar e logo já estava com o Maho rodando.
Depois de ficar tanto tempo mexendo com Magento 2 e WooCommerce, eu havia esquecido quão rápido projetos como esse poderiam ser. No vídeo você encontra trechos do admin. Nada foi acelerado. É simplesmente rápido. Instantâneo. 🙂
Por enquanto a maioria das diferenças não estão no admin nem no frontend, mas sim por baixo dos panos e no que diz respeito à estrutura do projeto.
Como todo projeto moderno, nossas customizações vivem em pastas totalmente separadas do core do Magento e suas bibliotecas. A pasta raiz agora chama-se public e não dá mais margens para expor o que não deve na web, como acontece até hoje no Magento 2 e WooCommerce.
E chega de versionar arquivos do core novamente. Tudo fica muito bem separado.
Composer também passa a ser a melhor forma de se gerenciar módulos e temas, e provavelmente não precisaremos mais de modgit ou modman, e nem mesmo fazer remendos no Mage.php para ter acesso às bibliotecas adicionadas via composer.
Um simples composer require ricardomartins/pagbank-magento1 e limpeza de cache foi o suficiente para ver o PagBank Connect adicionado no admin, com suporte a PIX, Cartão com autenticação 3D Secure e tudo mais.
Pra quem é o Maho?
De acordo com o Fabrizio, o Maho é para pequenas e médias lojas que buscam soluções modernas de e-commerce on-premise. Na prática, acredito que o projeto tem grande potencial de substituir o OpenMage e ser uma ótima solução para agências que até hoje seguem usando o OpenMage como sua principal plataforma.
Atualmente sigo vendo lojas de todos os tamanhos utilizando nossa integração PagBank. Por exemplo 4 das 10 maiores de nossas lojas ainda usam Magento 1 ou alguma de suas variações, faturando quase R$ 1 milhão de reais por mês cada.
Acredito que ainda falarei muito sobre o Maho por aqui, e estou inclusive devendo uma opinião mais detalhada sobre Magento 1 para os Magenteiros.
Mas por enquanto vou deixar você por aqui. Teste o Maho e deixe seus comentários. E se puder, teste de novo daqui 3 meses, e deixe novos comentários. 🙂
Como começar
Você encontra o Maho Commerce no site oficial, e também no github. É só seguir as instruções de instalação e começar a brincar.
Criação de módulos, temas, e customizações não serão tão diferentes de tudo que já ensinei aqui no Magenteiro, seja nos cursos de Magento 1 ou nas centenas de artigos sobre o assunto. Eventualmente o caminho de uma pasta ou outra mudará, mas a essência é a mesma.
O Magento 1 não se tornou a maior plataforma de e-commerce Open Source do seu tempo por acaso.
Aproveite.
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